Maria Izabel Bazani
Da reportagem local
Das multas aplicadas mensalmente pelos equipamentos de fiscalização eletrônica, 60% são referentes a veículos com placas de outras cidades. Os dados, divulgados pela Secretaria Municipal de Transportes, indicam ainda uma redução de 16,71% nas infrações cometidas por motoristas nos seis primeiros meses de 2008 em relação ao mesmo período do ano passado.
Foram justamente as infrações registradas por radares, desrespeito ao sinal vermelho e parada obrigatória, flagradas por equipamentos eletrônicos, que tiveram queda significativa, de 23,25%. Os números trazem à tona uma dúvida: os motoristas estão mais conscientes ao volante ou respeitam as leis apenas para não tomar multas?
Segundo levantamento da secretaria, no primeiro semestre de 2007 foram aplicadas 36.097 multas pela fiscalização eletrônica, contra 27.706 no mesmo período de 2008. Já os agentes de trânsito autuaram 14.676 motoristas no ano passado contra 14.581 este ano.
Em 2008, as infrações mais comuns foram de excesso de velocidade. A campeã de registros é a avenida Valentina Mello Freire Borenstein. Já o desrespeito ao sinal vermelho ou de parada obrigatória ocorre com mais freqüência na avenida Francisco Ferreira Lopes. Por fim, outra situação bastante comum é o uso do celular ao volante, que ocorre em toda a cidade.
De acordo com o secretário municipal de Transportes, Nobuo Aoki Xiol, aproximadamente 60% dos veículos multados em radares são de outras cidades.
"Há essa questão de os motoristas daqui saberem onde estão os radares e diminuírem a velocidade perto deles, mas também temos percebido que os motoristas mogianos estão, sim, mais conscientes e preocupados com a segurança no trânsito da cidade onde vivem suas famílias", observou o secretário.
Campeãs
As motocicletas ainda são consideradas as grandes vilãs do trânsito. Dados da secretaria apontam que elas representam apenas 14% da frota total do município. No entanto, quando o assunto são as infrações, ocupam a marca de 52% de todas as multas aplicadas na cidade, seja pela falta de uso de equipamentos obrigatórios de segurança, seja por desrespeito à sinalização.
Xiol lembrou que vem crescendo o número de atropelamentos envolvendo motociclistas, principalmente em pontos onde estão instalados semáforos, de fluxo intenso.
"As motos aproveitam o trânsito parado nos semáforos e avançam em meio aos carros. Temos registrado muitos atropelamentos nessa circunstância, principalmente com idosos como vítimas", disse.
Ele observou ainda que a redução no índice de autuações registrada pela secretaria está relacionada ao próprio comportamento do motorista. Segundo ele, as multas não têm muito efeito. Mas, aliadas às campanhas educativas, trabalhos de orientação e investimentos na segurança, acabam rendendo frutos: "O comportamento do motorista mogiano não difere muito do comportamento no trânsito em geral. Ninguém gosta da fiscalização longe de casa, mas perto de onde vivem eles cobram que se autue quem estiver abusando no trânsito".