As queixas de maus-tratos e falta de assistência social contra o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) e organizações não-governamentais, como a Cáritas Diocesana, não se restringem apenas ao grupo de 57 palestinos que residem em Mogi das Cruzes.
O colombiano Yeider Affonso Mora Pajov, de 29 anos, procurou ontem o Mogi News para denunciar o que ele considera como "falta de apoio" das entidades em não prepará-lo para ter uma "vida digna e honesta" em Mogi.
Pajov alega ter chegado à cidade em dezembro de 2004, fugido da perseguição das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas, as Farc, em seu país, e ter recebido apenas R$ 187, durante um período de seis meses "Estava amea-çado de morte pelas Farc e vim para o Brasil em busca de uma vida nova. Quando cheguei ao aeroporto (Guarulhos), um senhor dizendo que era da Acnur me abordou e disse que me traria para Mogi para o programa de refugiados. Fui levado para uma chácara, em Guararema, e ficava trabalhando noite e dia, por um salário R$ 187, sem poder conversar com ninguém", reclama.
GuararemaPajov diz que a chácara ficava na Estação Ecológica de Guararema, e era mantida pela Cáritas. Em 2005, ele conta que foi contratado pela entidade para trabalhar como ajudante geral, recebendo R$ 540 por mês.
"Só soube que tinha alguns direitos, como refugiado, de receber auxílio da ONU, nem de que pudesse trazer minha família, há alguns meses, depois que fui demitido do local. O pior é que não tive curso de português, nem de qualificação. Estou numa terra de estranhos, sem poder fazer nada", reclamou.