NOEMIA ALVES
Da reportagem local
Os integrantes do Comitê Autônomo de Solidariedade ao Povo Palestino devem se reunir nas próximas semanas com o prefeito Marco Aurélio Bertaiolli (DEM). O grupo, liderado por Mauro Rodrigues de Aguiar, irá solicitar do chefe do Executivo assistência social e médica aos 57 refugiados palestinos abrigados no município, desde 2007, por meio do Programa de Reassentamento Solidário do governo federal.
A data e horário da audiência com Bertaiolli, segundo Aguiar, depende da conclusão do dossiê que está sendo elaborado pelo grupo para ser entregue também na Justiça Federal. O documento terá dados pessoais das famílias, assim como detalhes do atendimento prestado pela Cáritas Diocesana (entidade de Mogi contratada para receber e orientar os refugiados) e pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) nos últimos 25 meses.
"Não queremos fazer denuncismo, mas sim buscar um auxílio a quem já sofreu muito com a guerra. O prefeito (Marco Aurélio Bertaiolli) tem se mostrado sensível aos assuntos relacionados à assistência social e pode nos ajudar de alguma maneira", acredita Aguiar.
O Comitê afirma que os estrangeiros encontram-se em situação de abandono e que estariam sendo vítimas de negligência por falta de atendimento adequado.
A gota d´água que teria motivado grupo de palestinos a procurar o Mogi News para denunciar maus-tratos e falta de assistência social foi a morte de Nusha El Loh, de 65 anos. Ela faleceu na noite de segunda-feira na Santa Casa de Mogi, vítima de pneumonia e diabetes.
"Os médicos foram heróis ao fazer de tudo para mantê-la viva, mas parece que a situação em que ela vivia, dormindo no chão, sem cobertor ou qualquer outro tipo de assistência médica, fez com que o quadro de saúde dela se complicasse. Não podemos deixar que outras pessoas percam a vida dessa maneira", comentou Aguiar.
Como protesto e na tentativa de chamar a atenção das autoridades, o Comitê distribuiu ontem folhetos de manifesto à morte de Nusha El Loh, na VII Conferência Municipal de Assistência Social, realizada na Universidade Braz Cubas (UBC). O protesto pacífico surtiu efeito e alguns integrantes do Conselho Municipal de Assistência Social, além do advogado Everaldo Carlos de Melo, discursaram em favor dos palestinos e prometeram acrescentar a reivindicação no relatório dos assuntos que serão discutidos na Conferência Estadual de Assistência Social.
"É uma vitória, mas agora, faltam novas batalhas", finalizou Aguiar.