Jamile Santana
Da reportagem local
Líder no ano passado no ranking de reclamações registradas pelo Procon de São Paulo, a Telefônica continua sendo alvo de queixas de consumidores em razão de problemas como cobranças indevidas ou má prestação de serviços. Em Mogi das Cruzes, a professora Jorgete Aparecida Fraulo de Moraes, moradora da Vila Nancy, tem enfrentado dificuldades há três meses com a empresa de telefonia fixa. Além das cobranças incorretas, a consumidora afirma que a empresa dificulta o atendimento quando o assunto é o pedido de cancelamento dos serviços prestados.
Tudo começou quando a professora decidiu adquirir o pacote Trio Telefônica, no mês de abril. A promoção trata-se de uma oferta conjunta, em que o cliente paga um valor mensal pelos serviços de telefonia fixa, Speedy e TV digital.
Nos primeiros três meses, o valor a ser pago, conforme o contrato firmado com a empresa, deveria ser de R$ 79,90 pelos três serviços prestados. Após o quarto mês de pagamento, o valor aumentaria para R$ 149,90. No entanto, já no primeiro boleto, o valor cobrado foi de R$ 149,90, somente pelo serviço da TV. Nos meses seguintes, os erros na cobrança voltaram a acontecer: "No mês de maio, recebi outro boleto de R$ 51,20 referente à assinatura da TV. Em junho, recebi uma conta no valor de R$ 49,90 referente à assinatura da TV, e ainda outro boleto referente às ligações telefônicas e ainda duas parcelas de R$ 79,90 referentes ao Speedy. Em julho, mais uma parcela de R$ 79,90", explicou.
Além dos valores cobrados aleatoriamente, o serviço prestado não atendia às expectativas da cliente. De acordo com Jorgete, acesso à rede mundial de computadores nunca chegou a funcionar com toda a velocidade prometida. "Minha internet nunca funcionou com dois mega (megabits por segundo). Além disso, a TV paga não tinha todos os canais funcionando."
Em busca de uma solução, a professora entrou em contato com a empresa para tentar entender o que estava sendo cobrado. Conforme informou, o setor de Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) da Telefônica sempre registrava protocolos de reclamação, mas nunca apresentava solução para o caso. Cansada de tentar resolver a situação, a cliente optou por cancelar a assinatura do pacote. "O problema é que, quando se fala em cancelar, eles começam a transferir a sua ligação até você querer desistir. Cheguei a ficar 24 minutos aguardando na linha e já chegaram até a desligar o telefone na minha cara", disse.
Foram feitos três registros de protocolo de queixa na empresa pela professora. A moradora entrou com um processo contra a companhia no Juizado Especial Cível de Brás Cubas e terá de comparecer a uma audiência marcada para o dia 16 de setembro.
Desencontro
A Telefônica, por meio de sua Assessoria de Imprensa, informou em nota que a situação da reclamante foi regularizada sem ônus financeiros para a cliente. A empresa, que entrou em contato com o cliente na tarde de anteontem para esclarecer as providências adotadas, lamenta e pede desculpas pelo desencontro de informações ocorrido durante o atendimento.