Aqueles que escolheram a cidade para morar contam que encontraram receptividade e oportunidade de vida com qualidade
Maria Izabel Bazani
Da reportagem local
Quem é mais mogiano? Aqueles que nasceram na cidade e foram registrados aqui ou os que escolheram morar em Mogi das Cruzes e a adotaram como sua terra? A pergunta é difícil e a resposta mais ainda. Entre os mais de 360 mil habitantes de Mogi estão
NORDESTINOs, mineiros, gaúchos... Gente de todos os cantos do País. Sem falar nas centenas de imigrantes japoneses, italianos, árabes e palestinos, que são os mogianos de coração.
Eles trabalham aqui, votam aqui, fazem suas compras aqui e pagam seus impostos aqui. Mais do que isso. Adotam também os problemas da cidade e entram na briga para resolvê-los. É assim no Mogilar, onde as pessoas costumam dizer que se o bairro tivesse um prefeito, o cargo seria de José Arraes.
Sua trajetória se confunde com lutas históricas, como o fim das enchentes no bairro e o desassoreamento do rio Tietê, e a fundação da Associação de Amigos do Mogilar, em 1995. Mas nem todo mundo sabe que esse filho ilustre não nasceu aqui, mas escolheu Mogi para ficar.
Arraes é de uma cidadezinha no interior do Ceará, chamada Crato. Veio para cá por causa do Banespa. Funcionário dedicado, estava sempre disposto a mudar de cidade quando a agência precisava de alguém em outros municípios. Conheceu Mogi das Cruzes em 1976, quando foi transferido para trabalhar em Arujá.
"Cheguei em Arujá num dia de muita chuva e minha família disse que lá não dava para morar. Nos falaram de Mogi das Cruzes, que ficava perto. Viemos para cá, nos apaixonamos e ficamos, e sempre no Mogilar", relembrou Arraes.
Parada
Desde então, o nômade resolveu se fixar. Ainda trabalhou em outras cidades, como Itaquaquecetuba, Guararema e Santa Isabel, mas nunca mais saiu daqui, até se aposentar como gerente-geral em Mogi das Cruzes, no fim de 1990. Foi então que entrou definitivamente na luta pelas causas do bairro. "Quanto mais a comunidade for eficiente, mais o governador é obrigado a atender esse grupo", garantiu.
A irreverência de Arraes é marca registrada e vem de família. Ele conta que se inspira muito no ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes, parente de seu pai. O inconformismo talvez seja a característica mais forte e, por isso, o líder do Mogilar tenha mergulhado de cabeça na luta pelo seu bairro e se diz não mogiano, mas mogilarense:
"Eu sempre gostei de ser muito inconformado. Nunca participei de uma reunião que eu não botasse a minha opinião. Não deixo perder a oportunidade mesmo. Acho que isso faz parte do ser humano, do cidadão".
Melhor lugar
Quem também escolheu Mogi para viver foi o radialista da Metropolitana Ayl Marques, que tem com a cidade uma história de identificação. Hoje, aos 35 anos, o jovem nascido em Arapeí, no Vale do Paraíba, não consegue se imaginar em outro lugar. Amanhã, quando a cidade completa 448 anos, ele também faz aniversário.
Foi justamente no dia 1 de setembro de 2003 que se mudou para cá, a convite de um amigo. Topou mesmo vir quando soube que na cidade havia emissoras de rádio, já que a comunicação sempre foi a sua grande paixão. Chegou às seis horas, teve tempo de assistir ao desfile cívico e, às 23 horas, já estava estabelecido. Tinha vindo para ficar.
"Passei três noites em um hotelzinho bem simples e depois fui para uma pensão, onde fiquei uns quatro meses, para depois montar uma república. Só saí de lá para me casar, no ano passado", contou.
Marques também é da opinião que adotar Mogi para si fez dele um mogiano. Ao longo dos últimos cinco anos, a cidade passou por muitas transformações, assim como o radialista. Talvez, por isso, ele sinta que ainda tem uma missão a cumprir por aqui, lugar que, segundo ele, é o melhor do mundo, já que é aqui que ele está agora: "É uma cidade privilegiada. Estamos a 40 minutos da praia, a 40 minutos de São Paulo, próximo dos principais entroncamentos rodoviários do Brasil".